fotos: Gil Grossi

Estamos iniciando um trabalho com algumas especificidades instigantes e uma poética muito própria. Quando decidimos criar um espetáculo de dança para a rua, sabíamos que encontraríamos alguns bons desafios no caminho.
Um deles é justamente a Forma.
Uma obra coreográfica feita para o Espaço Público requer muita pesquisa acerca daquele lugar específico. Cada espaço carrega a sua rotina, seu comércio e objetivos de quem transita ali. A primeira questão é: que Presença é essa que a obra afirma? Como ela dialoga com a rotina das pessoas e com a arquitetura daquele ambiente?

A primeira coisa que fazemos é aquecer a Presença/Corpo no lugar público onde acontece o ensaio. Respirar ali, jogar, abrir a atenção e fazer um "zoom" de Presença naquele ambiente:

1. Eu e minha coluna;
2.Eu, minha coluna e a do Outro "jogador";
3.Nós e o entorno;
4. Nós e os Outros (passantes);
5. Nós, o entorno, os passantes e todos os preenchimentos: sons, luminosidade, cheiros, comentários, olhares, natureza.

O jogo começa a partir do momento que nos reconhecemos ali, no momento presente.

...E a base é o respeito pelas pessoas. Dependendo da forma como interferimos em determinado ambiente, temos um tipo de retorno e o exercício é justamente aprender a dialogar a partir de uma ESCUTA aguçada e muita sensibilidade.
A Presença do dançarino-criador em cena está diretamente relacionada com a sua capacidade de perceber até onde ele pode ir, sempre respeitando o outro e estabelecendo uma troca verdadeira.
A Rua nos pede delicadeza pois essa á uma das coisas que se perde em meio a multidão e aos interesses individuais e de auto-preservação na cidade.